Epílogo

1 de maio de 2012

Segundos, minutos, horas, perdemos tempo demais.

Vozes ecoam, solidão, sorte, garrafas ao chão.

Sentimento, perfume, desejo de querer algo mais, sozinho.

Perdido na multidão, lágrimas e olhos que miram sem parar.

Desatento, desabrigado, quero mais, ou não, onde você está?

Cópia, plágio, tua beleza estampada e eu não posso ver.

Desejo, desespero, razão, romance, você.

Pára e pensa antes que eu deixe de querer…


Eu sei

10 de abril de 2012

Um a um vou juntando os cacos do orgulho que um dia eu tive, e que perdi no exato momento em que decidi transportar todas as minhas convicções para te ter aqui, por perto. Vejo, por onde passo, pedaços de um coração ferido por uma doce voz que por muito tempo me parecia música. Nesta noite, no entanto, meus versos ensaiam um outro ritmo, e tuas estrofes não se encaixam nas belas poesias que reservei pra ti no peito.

E é o peito que grita, calando a voz da minha cabeça.

E faz tempo que meu peito grita. É ensurdecedor encorajar-se quando, já ferido, teus sentidos imploraram por um desesperado não mais! Não posso mais ouvir-te. Não assim. Talvez não queira.

Já não sei!

 


A ingenuidade da saudade

28 de março de 2012

A ingenuidade da saudade. O apego ao físico. As palavras engasgadas. Tudo volta.

Tenho convivido diariamente com meus maiores medos: o mesmo futuro que me tira o sono, que me corta os pulsos metaforicamente. Aqui estou eu, de novo,  despido da armadura da busca pela menor-dor.

Mas eu sempre busquei o estado atual. Meus pensamentos sempre levaram-me para as indecisões diárias de implorar por um pouco mais, mesmo quando o peito, no fundo, clama por um não mais.

Nesta noite, em que la fora a chuva toca os vidros da janela do quarto, que o vento nas frestas das portas retiram as cortinas de seus lugares, encontro-me perdido em busca de uma voz que, de uma vez por todas, me diga o que eu sempre quis ouvir.

Dói demais. E eu não sei como parar. Tudo volta, de novo.

 


Um caminho irregular

21 de fevereiro de 2012

Eu sempre comunguei dos pensamentos comuns de que o frio da rua é mais confortável do que o calor de um lar onde não se quer mais morar. Entretanto, deparo-me passando por cima de muitas convicções desde o doce dia em que te conheci. Parei de acreditar nas obviedades de outrora e vejo-me sem muitas certezas, saracoteando as pernas em busca de respostas, enquanto o peito grita por um “não mais”.

Olhar para trás e observar seus medos tomando vida parecia-me improvável, embora o receio de que este dia chegasse sempre me tomasse algumas noites e, por vezes, alguns versos na madrugada.

Não sei quem sou. Ou onde estou. Só conheço meus defeitos, o pavor de sentir-se só querendo mais, e as palavras ríspidas despejadas em alto e bom som. A orquestra dos meus dias, hoje, ensaia versos tão diferentes que eu já não os acompanho mais. Sinto medo das tuas palavras e do que, delas, há de vir.

Falo  de sentir-se rejeitado em meio a milhares de pessoas que parecem não lhe ver. Em ser pisado pelo par de pés de te levava a caminhos – ou pelo menos deveria, melhores que os comuns. A trilha a ser perseguida é irregular e ninguém sabe em qual lugar ‘’vai dar”.

Perdi a escrita, uns meses, e a vontade de verbalizar o sentimento. O peito não mais grita. Os olhos não mais se enobrecem como antes. Perdi, mas quero encontrar. 


Sobre as palavras, a madrugada e um coração ferido

21 de fevereiro de 2012

Em um determinado momento da vida sempre voltamos para o alento daquilo que nos conforta. Não me recordo quando foi a última vez que vivi tal momento. Nem mesmo cogito lembrar quando, pela última vez, senti-me assim.

Voltei. Deparei-me, nesta noite, com o desejo incessante de despejar palavras, metáforas, e erros de concordância por onde passasse. Conectei todos os cabos necessários para ter, por algumas horas, uma página virtual onde pudesse depositar as vozes de um coração já rouco por tanto gritar.

Voltei. E retorno da maneira mais necessária possível: aquela em que os sentimentos estão prestes a explodir. E antes que tudo se exploda, arremessá-los-ei por aqui.

Volte. Voltei no tempo. Entretanto, as dores, os desconfortos e a vontade de gritar um BASTA são diferentes de outrora. Na verdade, não há como se comparar momentos tão distintos. O coração grita e os dedos obsessivos obedecem, como sempre foi.

… e obedecendo-os atesto que não há como mensurar a intensidade dos bons momentos, assim como não há que se falar nos descontentamentos quando se encontra o limite dos desejos futuros. Não há como se aceitar ouvir, diariamente, aquilo que não se quer ouvir. Não há como se combater o incombativel egoísmo de olhar para si. Não há como lidar com tantas ofensas sem-limites emanadas de uma voz que mais lhe parece música. Não mais.

Eu perdi. Perdi a luta. Perdi de mãos atadas e olhos abertos. Todavia, encontrei as palavras certas para esvaziar um pouco daquilo que me tira o sono às 2h da madrugada.

Voltei no momento certo, mas já é hora de dormir.


Eu voltei

21 de fevereiro de 2012

As lágrimas escorridas pela face e os dedos cansados não são marcas atuais. Já vivi eventos assim noutra ocasião e, como se vê, ultrapassei a todos com êxito – como em tantos outros objetivos alcançados.

Parei de escrever, sim, mas não perdi o lado sonhador. Parei de sonhar pra viver, e hoje acordo e durmo em sonhos-bons. O peso da idade torna-se mais veemente a cada dia, e eu ainda busco um lugar para destruí-los (ou mesmo despejá-los), mesmo que apenas por uma noite. Eu ainda busco sem sucesso uma paz inalcançável a olho nu. Eu ainda desejo sair de lugar nenhum em busca de qualquer lugar. Eu ainda espero um conforto em mãos alheias – todos os dias, todos os minutos e segundos…

Droga, e eu achando que não era assim.


Basta que eu feche os olhos e deixe meus sonhos te encontrar

18 de junho de 2011

Sinto falta dos teus passos tímidos quando estamos distantes. Sinto falta do calor e do aconchego dos teus braços quando essas paredes frias me privam de sentir você. Sinto falta, nas esquinas solitárias, do belo som emitido por tua voz doce. Sinto falta dos teus suspiros que eu estou assustadoramente acostumado a ouvir. Sinto falta dos teus pensamentos traduzidos em diálogos cativantes. E essa saudade se inicia, quase sempre, quando tu bates a porta do carro e me presenteia com aquele sorriso de longe.

Pergunto-me atônito o porquê dessa distancia indesejada, que me compele a tentar observar-te – sem sucesso – em rostos que me deparo quando tu estás distante,  que me obriga a desenhar teu rosto nas estrelas, em meio às luzes dos postes.

A saudade que me pega, às vezes,  te traz para perto de mim, em sonhos. Entretanto, enquanto teus lábios sobrevoam sobre mim e sopram em meu rosto, enquanto durmo, percebo que não tenho controle da tua magnífica onipresença, ao passo que, quando menos espero, já é hora de acordar. (e no rádio eu ouço em alto e bom tom: eu sonho só pra te ver).

Sinto tua falta constantemente, e tu estás aqui. Tu estás em qualquer lugar, basta que eu feche os olhos e deixe meus sonhos te encontrar.


Faz tempo…

9 de maio de 2011

Faz tempo…. faz tempo que meus dedos não obedecem a voz compulsiva de dentro do peito que clama por palavras despejadas nesta página virtual.

Faz tempo… faz algum tempo que minhas frases-mal-elaboradas, que buscam falar de amor, não encontram sua destinatária certa que contempla meus olhos com inexplicável beleza dia-após-dia.

Faz tempo… tempo que meus de concordância não são mais manifestados em forma de versos sem rimas. Faz tempo, faz muito tempo que não explico o estágio atual em que se encontra meu romance, já não mais perdendo o controle como outrora.

E esse tempo, passante, e cheio de momentos novos, de um sentimento ainda mais sublime, tem continuado a me tirar os pés da órbita, dando-me asas que me levam de encontro àquela que transforma minhas noites em belas tardes de domingo.

O tempo passou. Novas páginas do calendário não estão mais no seu devido lugar. Todavia, meu romance permanece aonde sempre devia estar: ao seu lado, Amor.

Que fique registrado até a eternidade que não cansei de amar. Não cansei de falar de amor, ou mesmo não desaprendi a fazê-lo. Meu romance permanece quebrando todas as barreiras do amor-comum, como eu sempre quis.

Ela, que tanto me agüenta, portanto, é a responsável pelo capitular de histórias que não mais se faz possível ser descrita em poucas estrofes. É o amor intangível que guardo no peito, que resiste a algumas palavras que atingem o coração em forma de flecha, que desconsidera todos os possíveis sintomas de que algo pode dar errado no fim.

Sim. É pelo amor que permaneço aqui. Permaneço intacto ao tempo. Permaneço escrevendo e descrevendo o romance inexplicável. Permaneço despejando palavras que jamais poderão demonstrar aquilo que sinto pela garota do mais belo sorriso que meus olhos já viram –e poderão algum dia ver.

Permanece os motivos para falar do romance. Permanece o desejo de sentir algo demasiado imenso que não cabe no peito. Permanece o amor recíproco. Permanecemos nós dois: eu e você.

Faz tempo que estamos aqui. E que o tempo não acabe.


Sobre o querer e o poder.

29 de abril de 2011

Existem coisas que a gente pode e coisas que a gente quer. Existem pessoas que pensam poder tudo o que querem. Tem gente que acha que não pode nada. Enfim. Existem diversas formas de se poder algo. A primeira delas – e talvez a mais importante-, é querer!

Ao ler e reler um texto magnífico que, obviamente, não foi por mim escrito, pude perceber que não sou eu apenas quem possui a certeza gravada em alto relevo na memória de que tudo aquilo que queremos pode se transformar na melhor das conquistas, bastando que a gente não sinta medo de querer e, consequentemente, buscar. E o medo, indubitavelmente, nos leva a ter menos daquilo que somos capazes de conquistar.

Posso afirmar com convicção infinita que o medo, o receio, a incapacidade de assumir riscos leva-nos a abrir mão de vitórias tão obvias quanto a necessidade de seu buscar dia após dia nossos sonhos.

Tem gente, inclusive, que desliga o telefone com medo de dizer um “olá”. Tem gente que perde a pessoa amada por medo da primeira-abordagem. Existem amores que se desfazem pela incapacidade de se deixar de lado o orgulho e naufragar no mar desconhecido que é a vida daquele(a) que damos as mãos. Tem gente que tem medo do porvir, e outros do que já passou. O fato é que todos nós temos medo; uns mais, outros menos, mas estamos todos no mesmo estágio: a insegurança de que nada dê certo no fim.

Deixando de lado medos bobos e mergulhando a fundo no desejo de acertar, deparei-me com diversos muros e pedras jogadas por caminhos que eu, ingênuo, julguei semelhantes a um paraíso. Descobri que estradas que dão de encontro a arco-íris podem transformarem-se em lamaçais e abismos profundos; outras tantas vezes em becos saída.

Mas não é só isso.

Não. Não porque ainda existem caminhos muito melhores do que um dia eu, sonhador que sou, jurei encontrar. Existe a música e os jardins. Existem as palavras, os papéis, e as noites iluminadas pela janela do quarto. Existem olhos que trazem paz, e caminhos tão excitantes em percorrer que a gente não quer chegar ao seu fim. Existe o amor do pai, da mãe, dos irmãos dos amigos, dos amores… Existem diversas formas de amar, mas todas fazem jus ao mesmo nome: amor!

Ouso dizer que entre o querer e o poder existe uma pequena estrada que pode facilmente ser seguida por pés descalços. Digo isso por acreditar que no amor (no amor depositado em um sonho; no amor que se sente por alguém; no amor que se busca encontrar; no amor que se quer preservar; no amor que se quer reencontrar; no amor que se sabe que, mesmo sentindo-o, nunca vai chegar) reside a maior fonte de todas as conquistas. É que no amor a gente encontra motivos para derrotar o medo e seguir em frente.

Ciente de tudo isso, passo, atualmente, a derrotar alguns receios com o amor que trago no peito.  Hoje não mais tenho desligado o telefone antes do primeiro ‘’oi’’; não mais fujo do primeiro contato, assim como jamais pensarei novamente em ter medo de me perder no horizonte daquela que dou às mãos. Deixo o amor tomar conta e exorcizo fantasmas do presente e do passado.  A insegurança de que algo não dê certo, no fim, ainda existe, mas não se faz motivo para que eu fuja daquilo que meu peito clama.

Às vezes, é claro, o medo reside do outro lado da porta, e talvez seja esse o único motivo de se deixar de lado a certeza de que “querer é poder”. Isso porque, às vezes, a gente quer, mas nunca se sabe o que a outra parte espera descrever no belo e magnífico livro que chamamos de nossa-história. Algumas vezes, por mais triste que seja, resta-nos alçar vôo noutros jardins, e demandar aos céus toda sorte de impropérios, questionando-se por que algo não deu certo.

O fato é que, quando queremos, nunca deixamos de poder tentar. A vitória é conseqüência daqueles que se julgaram dispostos a lutar. O resultado pode não ser o almejado, mas tentar é vencer o medo. E vencer o medo é o primeiro passo para se tornar eternamente feliz.


Parece verdade…

15 de abril de 2011

              Na minha busca incessante por conceituar o romance acabei por chegar à conclusão de que, de fato, estamos todos perdidos.

            Não cabe a mim, entretanto, generalizar o sentimento descrito pelos poetas, pelos romancistas, por aqueles que acreditam num amor recíproco, como eu. Todavia, cumpre a mim, conhecedor do amor que vivo, salientar que, muitas vezes, sentimo-nos todos perdidos.

            Posso ver em diversos rostos aquilo que sinto. Inclusive, posso ouvir corações que gritam por um “não-mais”. Como o meu. Posso, ainda, dizer que permaneço acreditando no amor como se fosse o maior dos sentimentos vividos pelo homem em sua existência.

            O amor, por si só, não é algo tão fácil de ser sentido diariamente, não na época em que vivemos. Não há como falsear sentimento tão sublime quanto o sentir-se-feliz-com-um-sorriso-alheio. Eu o sinto, e muito.

            Inobstante isso, posso dizer que o amor tem me causado diversas cicatrizes. Eu, que de tanto acreditar nesse sentimento, ao encontrá-lo, passei a crer que minha felicidade girava entorno de fazer-alguém-feliz. E foi assim que aprendi. E foi assim que me encontrei de cara com o muro. Enfim.

            Não posso dizer que minhas cicatrizes são fortes demais ao ponto de levar-me ao chão. Mas posso afirmar, com convicção, que já não posso mais escondê-las. Eu, uma obra imperfeita e inacabada de um grande Amor, acabo por chegar a conclusão de que todos estamos perdidos. E não deveria ser assim, eu acho.

            Se pudesse, ao menos uma vez, curar minhas cicatrizes sozinho, jamais procuraria cura em tuas mãos. O faço pela incapacidade de viver sem teu abraço, tua voz, teu sorriso.

            Mas eu sigo em frente, retirando do teu abraço o calor que preciso, da tua voz as palavras que espero, do teu sorriso os melhores sonhos que eu sempre quis viver, e do amor que tu dizes sentir um espelho do meu…. Esperando que tu faças o mesmo um dia.


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