Existem coisas que a gente pode e coisas que a gente quer. Existem pessoas que pensam poder tudo o que querem. Tem gente que acha que não pode nada. Enfim. Existem diversas formas de se poder algo. A primeira delas – e talvez a mais importante-, é querer!
Ao ler e reler um texto magnífico que, obviamente, não foi por mim escrito, pude perceber que não sou eu apenas quem possui a certeza gravada em alto relevo na memória de que tudo aquilo que queremos pode se transformar na melhor das conquistas, bastando que a gente não sinta medo de querer e, consequentemente, buscar. E o medo, indubitavelmente, nos leva a ter menos daquilo que somos capazes de conquistar.
Posso afirmar com convicção infinita que o medo, o receio, a incapacidade de assumir riscos leva-nos a abrir mão de vitórias tão obvias quanto a necessidade de seu buscar dia após dia nossos sonhos.
Tem gente, inclusive, que desliga o telefone com medo de dizer um “olá”. Tem gente que perde a pessoa amada por medo da primeira-abordagem. Existem amores que se desfazem pela incapacidade de se deixar de lado o orgulho e naufragar no mar desconhecido que é a vida daquele(a) que damos as mãos. Tem gente que tem medo do porvir, e outros do que já passou. O fato é que todos nós temos medo; uns mais, outros menos, mas estamos todos no mesmo estágio: a insegurança de que nada dê certo no fim.
Deixando de lado medos bobos e mergulhando a fundo no desejo de acertar, deparei-me com diversos muros e pedras jogadas por caminhos que eu, ingênuo, julguei semelhantes a um paraíso. Descobri que estradas que dão de encontro a arco-íris podem transformarem-se em lamaçais e abismos profundos; outras tantas vezes em becos saída.
Mas não é só isso.
Não. Não porque ainda existem caminhos muito melhores do que um dia eu, sonhador que sou, jurei encontrar. Existe a música e os jardins. Existem as palavras, os papéis, e as noites iluminadas pela janela do quarto. Existem olhos que trazem paz, e caminhos tão excitantes em percorrer que a gente não quer chegar ao seu fim. Existe o amor do pai, da mãe, dos irmãos dos amigos, dos amores… Existem diversas formas de amar, mas todas fazem jus ao mesmo nome: amor!
Ouso dizer que entre o querer e o poder existe uma pequena estrada que pode facilmente ser seguida por pés descalços. Digo isso por acreditar que no amor (no amor depositado em um sonho; no amor que se sente por alguém; no amor que se busca encontrar; no amor que se quer preservar; no amor que se quer reencontrar; no amor que se sabe que, mesmo sentindo-o, nunca vai chegar) reside a maior fonte de todas as conquistas. É que no amor a gente encontra motivos para derrotar o medo e seguir em frente.
Ciente de tudo isso, passo, atualmente, a derrotar alguns receios com o amor que trago no peito. Hoje não mais tenho desligado o telefone antes do primeiro ‘’oi’’; não mais fujo do primeiro contato, assim como jamais pensarei novamente em ter medo de me perder no horizonte daquela que dou às mãos. Deixo o amor tomar conta e exorcizo fantasmas do presente e do passado. A insegurança de que algo não dê certo, no fim, ainda existe, mas não se faz motivo para que eu fuja daquilo que meu peito clama.
Às vezes, é claro, o medo reside do outro lado da porta, e talvez seja esse o único motivo de se deixar de lado a certeza de que “querer é poder”. Isso porque, às vezes, a gente quer, mas nunca se sabe o que a outra parte espera descrever no belo e magnífico livro que chamamos de nossa-história. Algumas vezes, por mais triste que seja, resta-nos alçar vôo noutros jardins, e demandar aos céus toda sorte de impropérios, questionando-se por que algo não deu certo.
O fato é que, quando queremos, nunca deixamos de poder tentar. A vitória é conseqüência daqueles que se julgaram dispostos a lutar. O resultado pode não ser o almejado, mas tentar é vencer o medo. E vencer o medo é o primeiro passo para se tornar eternamente feliz.